A redução da jornada de trabalho no Brasil pode elevar os custos operacionais de frigoríficos, usinas de açúcar e etanol e fabricantes de alimentos, com impacto de dois dígitos sobre o lucro líquido de algumas companhias. Estudo do BTG Pactual estima que a mudança na escala 6×1 pode representar uma despesa adicional anual de R$ 824 milhões para a MBRF e de R$ 1 bilhão para a JBS, enquanto a fabricante de alimentos M. Dias Branco pode ter um impacto equivalente a 15% do lucro líquido projetado pelo banco para 2027.
A análise, intitulada The Price of a Shorter Week (O preço de uma semana de trabalho mais curta), avalia empresas brasileiras de alimentos, bebidas e agronegócio. O banco considera o custo de repor as horas de trabalho que deixariam de ser cumpridas com a redução da jornada, sem diminuição dos salários. Para as usinas de açúcar e etanol, a estimativa incorpora uma necessidade adicional de contratação para reorganizar os turnos.
O relatório considera a redução gradual do limite semanal de trabalho de 44 para 42 horas, dois meses após a promulgação da proposta, e posteriormente para 40 horas, após 12 meses. Os cálculos apresentados são anualizados para o cenário de implementação integral e comparados às projeções financeiras das companhias para 2027. O BTG também simula um cenário com metade do aumento estimado de custos, mais próximo da primeira etapa de transição.
Entre as empresas de proteína animal, a MBRF aparece como a mais exposta proporcionalmente.
