O placar de 75 a 1 em favor do fim da jornada 6 X 1 não diz o que está em curso. Se Flávio Bolsonaro (PL) vencer a eleição, dará o grande truque para contornar o que é uma conquista histórica dos trabalhadores: aprovar a proposta do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador político de sua candidatura à Presidência, que institui a contratação por horas trabalhadas. Seria, na verdade, a superação do primeiro entrave para o fim da CLT. Barbárie pouca é bobagem.
Oferecer-se-iam as duas opções: ou jornada 5X2 ou contratação/hora, restando a trabalhadores e empregadores a livre negociação para a escolha. Os reaças chamam isso de “liberdade”. Sim: ser livre tem como condição imanente o poder de escolha. No caso, o empregador é livre para contratar aquele que lhe for mais vantajoso. E o candidato a empregado? Se decidiu entrar na fila do desemprego, não se pode dizer que foi coagido a tanto, não é mesmo?
Antes que avance, noto: entendo, sim, a preocupação desses ou daqueles setores com a PEC aprovada. Desagrada-me muito o argumento, a meu ver intelectualmente terrorista, que acena para o caos. Isso é um padrão que se repete. A toda mudança, a reação responde com risco de Apocalipse, mas sem o triunfo dos bons no fim da história. É vasta a bibliografia sobre as predições dos males que decorreriam do fim da escravidão.
