Ninguém podia imaginar em 476 d.C. que a queda do Império Romano iria resultar em mil anos de escuridão. A Europa foi lançada nas trevas, fracionada em mais de 65 mil feudos em castelos murados, em condições inóspitas de saúde, sem segurança nas estradas, com os servos e os senhores analfabetos, a leitura restrita aos Monges encastelados na hermética língua do Latim, sem o amanhecer e o pôr do sol. Somente trabalho, desterro e religião.
Aristóteles errou quando disse que “o homem é um animal racional”. Todos passaram a se dizer plenos da razão, e deu no que deu. Seria melhor, quem sabe, ter dito que o homem é um animal que em certas circunstâncias raciona um pouco com a lógica, talvez não tanto quanto um “boto”, mas que se expressa melhor do que um “cão”, aqui em uma metáfora do absurdo.
Noah Harari, em “Sapiens”, diz que o homem é um animal completamente irracional, um acidente biológico do acaso, e que deve ser extinguir em cerca de mais um século, ou mais.
Na teia da economia política, a sociedade se desfaz. Comprimidos em sua renda, as classes médias, refratárias a políticas sociais e desgostosos com os sistemas representativos, dão suporte ao irracionalismo de extrema direita, na criação das autocracias modernas, onde poucos ganham e tudo se desfaz. Hoje, 3.300 famílias no mundo detêm em patrimônio o equivalente a 13% do PIB do planeta, no acirramento da espiral do conflito das decisões políticas e sociais.
