Empresários brasileiros acionaram a Justiça contra a australiana Brazilian Rare Earths (BRE) após a empresa cancelar 4 milhões de ações que faziam parte do pagamento por direitos minerários de terras raras na Bahia. Os papéis valiam R$ 61,6 milhões, mas foram recomprados por apenas um dólar australiano (R$ 3,62).
Segundo a Folha, a operação é contestada pelos antigos proprietários, que questionam a aplicação de uma cláusula contratual vinculada à aprovação de relatórios pela Agência Nacional de Mineração (ANM). A mineradora afirma que apenas exerceu um direito previsto no acordo.
A disputa pelas terras raras na Bahia
O negócio foi fechado em janeiro de 2024 e envolveu 11 direitos minerários em municípios baianos como Jequié e Jitaúna. A área soma cerca de 108 km². Em troca, a BRE pagou R$ 5 milhões em dinheiro e entregou 8 milhões de ações aos antigos proprietários das empresas vendedoras.
O contrato previa que duas áreas precisavam ter seus Relatórios Finais de Pesquisa aprovados pela ANM em até dois anos. Caso o prazo não fosse cumprido, a companhia poderia recomprar metade das ações entregues aos brasileiros por um dólar australiano.
O prazo terminou em março de 2026, sem que a agência concluísse as análises. A BRE comunicou no dia seguinte que exerceria a cláusula, e o cancelamento das 4 milhões de ações foi efetivado em 11 de agosto. Na ocasião, os papéis tinham valor de mercado de R$ 61,6 milhões.
