Texto Bruno Carbinatto | Ilustração Salsicha Co. | Design Caroline Aranha | Edição Rafael Battaglia
A
pesar de grande, o monstro-de-gila não faz jus ao nome. Esse lagarto nativo dos desertos dos EUA e do México, que pode passar dos 50 centímetros, é lento, desengonçado e meio preguiçoso. Dificilmente ataca humanos. Sua pele é preta e brilhante, com manchas laranja ou rosa, e seu corpo é gorducho. Dá até para falar que é fofinho.
Mas você não vai querer tocá-lo. A saliva do monstro-de-gila tem toxinas potentes, e a mordida causa dores terríveis. Há pelo menos uma morte registrada causada pelo veneno.
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Em 1992, cientistas analisaram a composição da peçonha do animal. Entre os vários achados estava a exendina-4, um peptídeo (pequena cadeia de aminoácidos) bastante parecido com um hormônio produzido naturalmente no intestino dos humanos, o GLP-1 (sigla em inglês para “peptídeo semelhante ao glucagon-1”). Entre outras funções, essa molécula controla o nível de açúcar no nosso sangue.
Quando eles injetaram a exendina-4 em camundongos diabéticos, o nível de glicose caiu. Nos anos seguintes, os cientistas se juntaram às farmacêuticas Amylin e Eli Lilly para criar uma versão sintética da molécula, chamada exenatida. Ela chegou ao mercado em 2005.
Nascia assim a primeira de uma nova classe de drogas conhecidas como “agonistas de GLP-1” ou “análogos de GLP-1”.
