Quer apostar que a cura do diabetes tipo 1 estará disponível antes de 2033 (ou que isso não acontecerá, para a tristeza das mais de 9 milhões de pessoas com a doença mundo afora)? Se desejar, e, a bem da verdade, se não estiver no Brasil, você pode fazer essa aposta. Apesar do nome pomposo, o “mercado de predição” basicamente permite que qualquer um invista seu dinheiro na possibilidade de um evento futuro acontecer, desde a vitória de um político nas eleições até a quantidade de plays que um músico acumulará em um ano. E, recentemente, plataformas digitais desse segmento, como Polymarket e Kalshi, anunciaram a possibilidade de apostar em pesquisas clínicas e aprovações de medicamentos.
Além da tal cura do diabetes tipo 1, em outubro a aba de “Medicina” da Kalshi, permitia apostar quando a retatrutida, um medicamento contra obesidade, seria aprovada pela FDA, a agência que regula fármacos e alimentos nos EUA. Ou se um tratamento para o angioedema hereditário, uma doença rara, chegaria antes ou depois de julho de 2027. Ou em qual momento alguma empresa submeteria os estudos clínicos de uma terapia inovadora contra a doença falciforme.
Antes de entrar nas repercussões científicas, confesso que sinto um certo desconforto ao acessar um site com cara de monitor de bolsa de valores e ver que muitos contratos negociados ali envolvem, em última instância, a vida de pessoas fragilizadas por diversas doenças.
