Há um número que não sai da minha cabeça. Se Lula for reeleito no dia 25, o mesmo partido terá governado o Brasil por mais de 21 dos últimos 28 anos. Eu, que tenho 29 anos, passei quase a minha vida toda vendo o Partido dos Trabalhadores (PT) governar o Brasil.
Não escrevo isso para atacar Lula nem o PT. Foi tudo pelo voto, e o voto precisa ser respeitado.
Eu faria a mesma pergunta se fosse qualquer outro partido: é saudável para uma democracia que o mesmo grupo fique tanto tempo no poder?
Tenho pensado muito nisso, e confesso que não é um pensamento tranquilo.
A democracia é frágil. Depende de instituições que às vezes falham, de eleitores que nem sempre acertam e de governantes que precisam aceitar perder. Ainda assim, é o melhor sistema que temos.
Mas o que, afinal, a torna melhor? Karl Popper deu a resposta que me parece mais honesta:
O valor da democracia não está em escolher sempre os melhores, mas em poder tirar quem governa sem derramar sangue. Democracia é, antes de tudo, a possibilidade de trocar.
E quando a troca deixa de acontecer? A regra continua lá, a urna também. Mas, aos poucos, o poder vai se acomodando. Quem governa passa a se ver como dono do lugar, e quem é governado passa a achar isso normal.
No caso do PT, houve até a passagem de Lula para Dilma, mas o partido e o projeto continuaram os mesmos. E deu no que deu: recessão, contas no vermelho e impeachment.
Com o mesmo grupo no poder, a forma de governar se repete.
