O Brasil vive uma contradição nutricional que se reflete diretamente na prática clínica. Ao mesmo tempo em que o sobrepeso e a obesidade infantil avançam, persistem inadequações importantes na ingestão de nutrientes essenciais para o crescimento e o desenvolvimento. Longe de serem problemas excludentes, o excesso de peso e as carências nutricionais podem coexistir na mesma criança. É justamente essa sobreposição que torna a chamada desnutrição oculta um desafio cada vez mais relevante para o acompanhamento pediátrico.
Essa realidade exige que a avaliação nutricional vá além do peso e do índice de massa corporal. Uma criança pode consumir calorias em quantidade suficiente ou até excessiva e, ainda assim, apresentar uma alimentação pobre em fibras, minerais e vitaminas. Identificar essa combinação é fundamental para prevenir consequências que podem comprometer o crescimento, o desenvolvimento e a saúde metabólica ao longo da vida.
Quando a quantidade de calorias não conta toda a história
Na prática clínica, um dos desafios é reconhecer que comer o suficiente não significa, necessariamente, estar bem nutrido. A qualidade da alimentação precisa ser considerada na avaliação do crescimento e do desenvolvimento infantil, especialmente quando a dieta oferece energia em quantidade adequada, mas não garante o aporte de nutrientes essenciais.
