No Brasil, onde já virou tradição discutir fé nas eleições, vale lembrar ao eleitor de uma santa muito querida pelos católicos e ligada ao tema que mais pesa no orçamento das famílias. Santa Edwiges é celebrada pela Igreja em 16 de outubro e é venerada como protetora dos pobres e dos endividados. Em 2026, sua festa cai entre o primeiro e o segundo turno, num momento em que a dívida das famílias ocupa o centro do debate político.
Em todo o país, o dia 16 de outubro reúne fiéis em missas, novenas e procissões nas paróquias dedicadas a ela. Muitos chegam com um pedido bem concreto, o de conseguir pagar as contas e recomeçar. As orações pedem que não falte o pão de cada dia, que a família tenha dignidade e que o devoto encontre equilíbrio e discernimento para organizar a vida financeira. A invocação mais conhecida é simples. “Santa Edwiges, rogai por nós.”
Essa devoção tem um traço muito brasileiro. Foi aqui que Santa Edwiges ganhou força como intercessora de quem enfrenta dificuldades financeiras, e sua imagem passou a ser procurada sobretudo em tempos de crise, desemprego e aperto no orçamento. A explicação para essa ligação está na própria história da santa, que viveu há mais de oito séculos e do outro lado do oceano.
Edwiges nasceu por volta de 1174, numa família nobre da Baviera, e se casou ainda jovem com Henrique, duque da Silésia, região que atualmente pertence à Polônia. Mesmo vivendo na corte, dedicou a vida aos mais pobres. Visitava famílias em situação de miséria, fundou hospitais, escolas e conventos para acolher viúvas e órfãos e ajudava lavradores e presos a quitar suas dívidas. Segundo a tradição, usava os bens do próprio dote para libertar devedores da prisão, numa época em que a dívida podia levar à cadeia.
