Em situações de ocorrência, informar com simplicidade é essencial. Mas linguagem acessível não pode ser confundida com omissão, imprecisão técnica ou tentativa de controlar a informação.
Poucos setores dependem tanto da confiança pública quanto o nuclear. E essa confiança é testada justamente quando algo sai da rotina e a sociedade quer saber o que aconteceu, quais são os riscos, o que está sendo feito e quem acompanha a situação.
Não por acaso, a transparência é princípio recorrente nas orientações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para a comunicação nuclear. Em situações de emergência nuclear ou radiológica, a Agência recomenda informações tempestivas, verdadeiras, claras e apropriadas ao público, além de coordenação entre as instituições envolvidas.
Há outro ponto igualmente importante: comunicar uma ocorrência exige situá-la em sua real dimensão. Isso implica informar com clareza o que aconteceu, o que já se sabe, o que ainda está sendo apurado e quais medidas estão em curso, sem minimizar os fatos nem lhes atribuir uma gravidade que as evidências não sustentam.
A comunicação de risco deve oferecer ao público elementos para compreender a situação. A experiência internacional mostra que a comunicação de risco deve oferecer ao público elementos suficientes para compreender a situação e avaliá-la com clareza. A credibilidade institucional também se constrói a partir desse equilíbrio entre transparência, precisão e proporcionalidade.
