A quinta-feira começou com uma armadilha no Senado e terminou com uma manchete no Jornal Nacional. Entre uma e outra, o PT abandonou, ao menos no discurso do seu candidato, uma posição que defendia havia décadas.
Na véspera, o governo tinha comemorado a maior vitória legislativa da campanha. Na quarta-feira (14), o Senado aprovou a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1, com dois dias de descanso remunerado por semana e redução gradual da jornada de trabalho. A oposição precisava mudar de assunto, e escolheu um tema em que o PT sempre esteve sozinho contra a maioria da população.
A emenda dos 14 anos
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, apresentou na quarta-feira uma emenda à PEC da Segurança Pública para reduzir a maioridade penal. O texto reproduz a PEC 32/2019, de autoria do próprio Flávio, que reduz a maioridade de 18 para 16 anos e estabelece a responsabilização penal a partir dos 14 anos para crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas. Como argumento, Marinho citou pesquisa Datafolha de junho segundo a qual 79% dos brasileiros apoiavam a redução.
A jogada tinha duas camadas. A primeira era forçar o governo a votar contra uma bandeira popular a dez dias da eleição. A segunda era mais sutil.
