São Paulo, “Perdi meu carro hoje no Vale do Anhangabaú. Estou em cima do carro, com passageiro”. O relato, veiculado em vídeo nas redes sociais, é de um taxista que perdeu o carro após a chuva que atingiu a capital paulista na última quarta-feira (14/10). As imagens mostram o Túnel do Anhangabaú completamente alagado, deixando carros submersos e pessoas ilhadas, nessa quarta-feira (14/10).
As consequências das mudanças climáticas recentes são cada vez mais evidentes no estado de São Paulo. Porém, a capital paulista, em especial, tem chamado atenção pelos inúmeros desastres relacionados a fortes tempestades em um curto período de tempo.
No entanto, a cidade de São Paulo, já conhecida popularmente como “terra da garoa” está no centro de um questionamento em razão da sucessão de desastres ambientais: a culpa das tragédias é realmente da chuva, sempre tratada como “imprevisível” ou imbatível, que age por razões maiores, ou da falta de estratégia e investimentos dos órgãos públicos?
Em entrevista ao Metrópoles, o cientista brasileiro e coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Artaxo, critica a abordagem que coloca as chuvas como as maiores causadoras das enchentes no estado e na capital paulista, dando foco aos investimentos não estratégicos dos órgãos públicos e a má utilização dos aparatos científicos para prevenir este tipo de ocorrência.
