São Paulo, A poucos metros da sede do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), instituição que organiza as eleições no estado, o aposentado Erasmo da Silva, de 75 anos, comentava sobre o pleito deste ano apontando para as pernas machucadas.
Sentado em frente a uma loja de bolos na Rua Humaitá, na Bela Vista, centro da capital paulista, ele diz que não foi às urnas no 1º turno porque seu local de votação mudou. Antes, votava a cinco minutos de sua casa. Agora, sua seção fica a 20 minutos de caminhada, um trajeto que as pernas já não conseguem mais fazer.
“No 2º turno, se um amigo meu trouxer o carro e vier me pegar, eu vou lá votar”, diz.
A Bela Vista, zona eleitoral onde Erasmo mora, teve o maior percentual de abstenção de toda a capital paulista. Enquanto a média de faltas na cidade ficou em 23,40%, o percentual de pessoas que deixaram de ir às urnas na região chegou a 28,32% - o equivalente a mais de 41 mil moradores.
O Metrópoles foi até lá e conversou com eleitores para tentar entender o fenômeno. Polarização, problemas de locomoção e até a chuva foram algumas das respostas apresentadas pelos moradores para as ausências no primeiro turno.
Desanimada
Helena Lenharo, de 77 anos, e Carmen Ferreira, de 71 anos, contribuíram para a estatística de abstenções. “Eu fiquei meio desanimada com essa política suja”, conta Helena, que se diz decepcionada com questões como a crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
