A leitura antes de dormir era um tema que causava preocupação no começo do século 20: acreditava-se que a atitude prejudicaria a visão, virando tema de pesquisas e reportagens sobre o assunto.
Em 1908, o jornal “The Lancet” deu luz a um estudo do Dr. Hugo Feilchenfeld, chefe da clínica oftalmológica do Hospital Judaico de Berlim, alertando para os “perigos” da prática, acreditando-se que a luz posicionada inadequadamente e a posição que se lia deitado no travesseiro com o livro poderia causar miopia.
O artigo do médico enfatizava que o hábito de ler na cama deveria ser “estritamente proibido” para menores de 18 anos, cujos olhos ainda estariam em desenvolvimento e poderiam ter a visão prejudicada pela prática.
A recomendação era fixar acima ou atrás da cabeça algum tipo de luz - vela, lâmpada a gás ou elétrica - com iluminação suficiente para leitura, e que fosse utilizado um travesseiro firme. A publicação ainda citava a esperança de que “talvez um dia as editoras publiquem livros para ler na cama, com tipografia e encadernação adequadas, com capas rígidas páginas pequenas para evitar que dobrem e papel muito leve para não cansar a mão, com margens largas e letra grande.
Mudança de visão
Nas décadas seguintes, a ideia ainda estava disseminada na sociedade - crianças das décadas de 1980 e 1990, por exemplo, ouviam “acende a luz, vai estragar a vista”, ao tentar ler livros ou gibis à noite na cama com uma iluminação que não fosse a principal do quarto.
