Arqueólogos desenterraram os restos mortais de um Neandertal que a vida teve um fim brutal há 75.000 anos, quando uma lança de madeira afiada penetrou no peito do indivíduo, em um dos primeiros exemplos conhecidos de um possível homicídio.
Um orifício circular e preciso na omoplata do hominídeo sugeriu que a arma penetrou o tórax, atravessando o pulmão e as principais artérias antes de perfurar o osso. De acordo com um estudo publicado na revista Scientific Reports na quinta-feira (15), o projétil provavelmente matou o neandertal instantaneamente ou pouco tempo depois.
Mas os arqueólogos que escavaram os novos fragmentos de esqueletos na caverna de Shanidar, na região do Curdistão iraquiano, afirmam que os fósseis revelam uma história complexa sobre a vida e a morte dos neandertais, que vai além do que aparentava ser violência deliberada.
Durante escavações separadas em 2019 e 2022, a equipe encontrou a escápula do Neandertal, um osso plano e triangular, preservada em 7,5 metros de rocha e terra, juntamente com uma mão direita quase completa, duas costelas esquerdas, um fragmento de costela direita e sete dentes. Acredita-se que o Neandertal, conhecido como Shanidar A, tinha cerca de 45 anos na época de sua morte, mas os arqueólogos não conseguiram determinar seu sexo.
O ferimento fatal não foi a única lesão sofrida pelo hominídeo.
Um dente encontrado no local estava rachado, sugerindo um trauma contundente na face.
