Um fóssil do período Jurássico descoberto recentemente na província de Fujian, no leste da China, coloca em xeque uma das premissas mais fundamentais sobre a evolução das aves: a de que as aves primitivas teriam evoluído seu plano corporal, constantemente, com o objetivo principal de aprimorar a capacidade de voo.
“Plano corporal” é a organização anatômica única dos animais de determinado grupo. Nas aves, essa estrutura inclui coisas como esqueletos com ossos ocos e leves, membros especializados para estabilidade biomecânica, um sistema respiratório eficiente, penas para isolamento térmico e um metabolismo acelerado.
Todas essas características tornam possível (e facilitam) o voo. Não por acaso, os pesquisadores sempre associaram a evolução do plano corporal das aves à conquista dos ares. Até hoje, essa habilidade é uma peça fundamental para a sobrevivência, a alimentação e a reprodução destes animais.
Mas o Yuezhuornis yangyuanensis, ave que viveu há 150 milhões de anos, sugere um caminho diferente. Com o tamanho de um corvo, ele provavelmente não era capaz de voar. Ainda assim, contribuiu para o que os pesquisadores chamam de “exploração de diferentes nichos ecológicos”, inclusive aqueles que não exigiam o voo.
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“Nicho ecológico” é o papel funcional de uma espécie dentro de um ecossistema.
