A história nos ensina, com o sangue de mártires e os escombros de nações, que o primeiro passo de qualquer regime totalitário para sufocar a liberdade é silenciar os altares.
Na União Soviética de Stalin, as igrejas foram transformadas em estábulos enquanto padres eram vigiados; na Revolução Cultural chinesa de Mao Tsé-Tung, por sua vez, a mera posse de uma Bíblia e o conteúdo das pregações eram rastreados pelo Partido; e, ainda hoje, ditaduras contemporâneas monitoram sistematicamente os sermões para garantir a subserviência ideológica e a idolatria do Estado.
É com esse sombrio pano de fundo que devemos analisar o recente e escandaloso episódio ocorrido no Brasil.
Às vésperas das eleições, um grupo de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a ONG estrangeira More in Common, realizou uma auditoria devassa em milhares de igrejas pelo país.
Mais de 7.400 missas e cultos (católicos, batistas e das Assembleias de Deus) tiveram seus vídeos baixados e analisados, sermão por sermão, palavra por palavra, com o objetivo explícito de identificar supostos “crimes eleitorais”.
Ora, o que se vê no presente caso é a transmutação de pesquisadores acadêmicos de uma universidade estatal em censores da fé, emulando as páginas mais sombrias da distopia 1984, de George Orwell, onde a “Polícia do Pensamento” do Big Brother fiscalizava cada respiro dos cidadãos.
A seletividade dessa “pesquisa” é escandalosamente estigmatizante.
