A aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição), na quarta-feira (14), que decretou o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil gerou críticas do empresariado. Em entrevista ao CNN 360º, Paulo Skaf, presidente da Fiesp, avaliou que a medida foi conduzida de forma apressada e motivada por interesses eleitorais, às vésperas do segundo turno das eleições.
Para ele, “engessar” essa escala na Constituição ignora as particularidades de cada setor. “A realidade da saúde não é a mesma realidade da padaria, não é a mesma realidade da indústria, não é a mesma realidade da agricultura”, pontuou.
O empresário alertou que a mudança trará um impacto direto nos custos. “O impacto de custos, sem dúvida nenhuma, vai provocar um grande aumento de preço de serviços”, afirmou.
Para Skaf, a votação da PEC, aprovada no Senado Federal com mais de 70 votos favoráveis e apenas um contrário, caracterizou o que ele chamou de “PEC boca de urna”. “Quem pode negar que essa foi uma PEC boca de urna? Não dá”, afirmou.
Segundo ele, a proposta tramitou sem que emendas fossem aceitas nem na Câmara dos Deputados nem no Senado Federal, o que demonstra, em sua visão, a falta de profundidade no debate.
Impacto nos setores produtivos
Skaf destacou que aproximadamente 30% da força de trabalho com carteira assinada, de um total estimado de 45 milhões de trabalhadores, opera na escala 6×1, resultado de décadas de negociações setoriais.
