O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, anunciou recentemente que seu governo avalia implementar um programa que poderia conceder liberdade condicional a até 50% dos presos acusados de ligação às gangues criminosas no país.
A medida, que surge após anos de uma política de prisões em massa, segundo Bukele, estaria sujeita a supervisão e dependeria de uma avaliação individual de cada caso.
À CNN, o advogado de direitos humanos e porta-voz da ONG salvadorenha UNIDEHC (União de Defensores dos Direitos Humanos em El Salvador), Rudy Joya, explicou o que pode estar por trás do anúncio.
Em entrevista ao apresentador da CNN en Español, Iván Pérez Sarmenti, Joya explicou que um dos motivos é a pressão internacional que El Salvador enfrenta por “vários crimes de lesa-humanidade” por meio da política de segurança pública.
“Em diferentes relatórios de diversas organizações internacionais, ficou demonstrado e documentado que houve falta de devido processo e capturas arbitrárias de pessoas inocentes que não pertencem a gangues”, disse Joya, relembrando as “margens de erro que a polícia ou os militares cometeram na época”, como o próprio Bukele diz.
O advogado também destacou que o aparente recuo do governo salvadorenho em relação à sua política de prisões em massa, na verdade, é uma forma de se esquivar da discussão sobre inocentes presos no país.
