A discussão sobre a redução da maioridade penal para 16 anos no caso de crimes hediondos gerou uma crise interna no Partido dos Trabalhadores.
De acordo com o analista de política Pedro Venceslau, a movimentação do senador Camilo Santana (PT-CE) para coletar assinaturas em favor da proposta expõe uma contradição histórica dentro da legenda, que sempre foi contrária a esse tipo de medida.
“A questão da maioridade penal está para a campanha do Lula como o fim da escala 6×1 está para a campanha do Flávio”, afirmou o analista durante o CNN 360º desta quinta-feira (15).
Segundo Venceslau, em ambos os casos, a avaliação é de que os candidatos se viram obrigados a adotar posições que não eram suas preferências originais por pressão do contexto eleitoral.
Venceslau destacou que Camilo Santana ocupa papel central na coordenação da campanha de Lula e que qualquer movimento seu deve ser lido como um ato tanto do governo quanto da campanha.
“Camilo Santana jamais faria um movimento dessa magnitude sem antes consultar o presidente da República”, disse o analista.
No entanto, a coleta de assinaturas gerou desconforto entre parlamentares petistas, que se sentiram surpreendidos por não terem sido consultados previamente.
“Conversei com alguns quadros da sigla hoje e eles estavam bastante incomodados. Alguns disseram estar desconfortáveis com o que eles chamaram de um ‘atropelo’ de Camilo Santana, porque ele não consultou antes a bancada e não fez debate interno”, relatou Venceslau.
