Neste segundo turno das eleições, tenho ouvido que Lula e seus aliados estão desesperados. E não é difícil compreender o motivo. O primeiro turno, com a vantagem de Flávio Bolsonaro nas urnas, revelou um sentimento de mudança na população que o governo preferia ignorar.
Nós, da direita, sabíamos que as investidas do adversário seriam intensas. Entretanto, o que chama a atenção é a velocidade com que pautas importantes no Congresso passaram a ser utilizadas como instrumentos eleitorais.
O exemplo mais evidente é a votação apressada do fim da escala 6×1. De repente, às vésperas da eleição, Lula descobriu que o trabalhador brasileiro precisa descansar. Depois de tantos anos no poder, resolveu demonstrar preocupação com quem trabalha muito, ganha pouco e enfrenta dificuldades para sustentar a família.
Mas não se enganem. Minha crítica não é ao descanso do trabalhador, e sim à utilização de uma reivindicação legítima como propaganda eleitoral.
Aliás, eu cresci vendo minha mãe trabalhar como faxineira em uma escola. Conheço o valor do trabalho e o peso do cansaço. Não preciso de Lula para me ensinar isso.
Dito isso, a pergunta que o governo evita responder é outra: como garantir esse direito sem comprometer empregos, renda e a sobrevivência dos pequenos empreendedores?
Afinal, reduzir a escala exige planejamento, regulamentação e medidas de transição. Não basta aprovar uma mudança e esperar que, por algum milagre, os custos desapareçam.
