Não sei quem vai vencer a eleição. Flávio Bolsonaro é, em tese, favorito porque chegou à frente. Pesquisas apontam empate técnico com o presidente Lula. O precedente de nunca ter havido uma virada na eleição presidencial não é predição acima da dúvida nem um teorema. Há outro, que também não é um teorema como o de Pitágoras (a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa): em 2014, Dilma só virou sobre Aécio nas pesquisas cinco dias antes do segundo turno e acabou vencendo. Nos números da Quaest divulgados nesta quarta, o candidato do PL aparece com 46%, e o petista, com 44%. Acho que há uma novidade nestes dias: a cobertura política começou a falar um pouco de… política! Deixou de ser apenas um rodapé da seção de Polícia.
Os partidários de Lula têm feito atos Brasil afora que realmente impressionam. O de domingo, na Avenida Paulista e adjacências, disputa lugar entre os maiores da história do país. Nem de longe teve na grande imprensa a visibilidade que o fato exigiria em tempos normais. Em dias assim, certo equilibrismo em nome da isenção costuma privilegiar a administração dessa isenção em prejuízo da realidade. Talvez um dia isso seja revisto. E, pois, falemos mais de imprensa.
Nesses quatro anos da gestão Lula, dois movimentos se deram. Num sentido, a cobertura passou a ser implacável com a dita irresponsabilidade fiscal do governo. É muito difícil haver juízos “apenas técnicos” que sejam neutros, reconhecendo virtudes e defeitos ao menos. Não.
