O fim da escala 6×1 pode elevar os custos de produção, agravar a escassez de mão de obra e pressionar os preços dos alimentos, segundo entidades do agronegócio. Após o Senado aprovar, nesta quarta-feira (14), a proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, representantes do setor voltaram a alertar para as dificuldades de adaptar atividades que dependem de trabalho contínuo, sazonalidade e condições climáticas.
A principal preocupação é como manter o ritmo de produção com menos horas de trabalho por funcionário, especialmente em segmentos como a pecuária leiteira, a criação de aves e suínos, os frigoríficos e as operações agrícolas durante o plantio e a colheita. As alternativas incluem reorganizar turnos, contratar mais trabalhadores ou absorver custos adicionais com horas extras, conforme as características de cada atividade.
A PEC foi aprovada em dois turnos pelo Senado, com 75 votos favoráveis e um contrário, e segue para promulgação, conforme o texto aprovado.
A maior parte das entidades consultadas pela CNN não apresentou um posicionamento específico imediatamente após a votação. Entre as manifestações recebidas, a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), que representa os setores de aves e suínos, afirma que cumprirá a nova legislação, mas alertou para possíveis consequências sobre a oferta e os custos dos produtos.
