Em 2026 o campo progressista brasileiro tenta dialogar com um eleitor ainda mais conservador do que já era nas últimas eleições para Presidente. O resultado do primeiro turno para o Congresso Nacional confirma o fenômeno do aumento do conservadorismo entre a população brasileira captado pela pesquisa anual “Índice de Conservadorismo e Costumes”, realizada pelo Instituto Ipsos (https://www.ipsos.com/pt-br). O mais intrigante é que o conservadorismo tenha crescido durante um governo do centro-esquerda.
Fundado há 50 anos na França, o Ipsos realiza pesquisas em dezenas de países analisando mercados tendências de comportamento. Para avaliar o grau de conservadorismo de uma população, o instituto acompanha a opinião pública sobre assuntos desde o casamento entre homossexuais e aborto até porte de armas e pena de morte. Vale a pena verificar em quais desses temas o eleitor da Ilha da Vera Cruz engatou a marcha ré na sua visão de mundo e sociedade. A pesquisa cruzou ainda a analise os indicadores por região, gênero, raça, idade, religião e classe social. Mais do que revelar aos marketeiros de produtos se o brasileiro é um consumidor careta ou descolado, o Índice de Conservadorismo oferece material farto para os partidos progressistas localizarem, por exemplo, os pontos de sustentação do clã Bolsonaro, mesmo após o desastre da gestão do seu patriarca e apesar dos avanços promovidos pelo atual governo Lula, que tirou o país do atoleiro socioeconômico em que se encontrava.
