Sempre houve, em toda sociedade, em todos os países, pessoas que despertam um asco imediato. A literatura está cheia deles. O Uriah Heep de David Cooperfield, quando David lhe dá a mão sente a pele pegajosa, tão desagradável ao toque como à vista, que espelha a degradação moral no físico arrevesado. O Iago de Otelo, que Coleridge disse ser quase o demônio, mas não realmente o demônio. Os inúmeros encontros de Dante e Virgílio na Commedia. O Vautrin que perpassa a Comédie Humaine, com sua ilustração imortal por Daumier.
Este é, para mim, o espelho corporal de Kássio Nunes Marques. Mas é o seu comportamento, a sua negação da Lei e da ética, que o tornam repulsivo à maior parte dos brasileiros. Kássio Nunes Marques ainda será julgado e, do ponto de vista jurídico, deve ter o benefício da presunção de inocência. Isso não impede que socialmente o condenemos e desejemos que receba as penas mais severas que estejam na lei. Será pouco, pois seu comportamento amoral, que tudo contamina, não é punido pela lei.
A indicação para o Supremo Tribunal Federal, como a de André Mendonça, feita por um genocida e golpista declarado, é ilegítima, e para a legitimar não basta a aprovação pelo Senado Federal. Ela se deve a um encontro casual com Flávio Bolsonaro, que o levou ao pai para substituir o Ministro Celso de Melo, na época decano da Corte e que antecipara a aposentadoria por motivos médicos.
