A aprovação pelo Senado da PEC que extingue a escala 6×1 representa mais um exemplo de como decisões de grande impacto econômico podem ser tomadas sob a influência de conveniências políticas, em detrimento de um debate público aprofundado. Por 75 votos a 1, o Congresso aprovou uma mudança que reduz a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais, assegura dois dias de descanso remunerado e proíbe a redução salarial. É difícil contestar a legitimidade da busca por melhores condições de trabalho e mais tempo para a convivência familiar. O problema começa quando a defesa de um objetivo desejável é utilizada para dispensar a análise rigorosa dos meios escolhidos para alcançá-lo.
O primeiro equívoco está em tratar a redução da jornada como se seus benefícios fossem automáticos e seus custos, irrelevantes. Proibir a escala 6×1 não elimina a necessidade de manter lojas abertas, hospitais funcionando, restaurantes atendendo e mercadorias sendo transportadas. Se o trabalhador passa a cumprir menos horas, sem redução de salário, as empresas precisarão reorganizar suas operações, contratar mais funcionários ou absorver um aumento de custos. A Confederação Nacional da Indústria estima que a mudança poderá representar R$ 267,2 bilhões em custos adicionais para o setor e uma retração de 0,7% do PIB. São projeções que merecem ser debatidas e examinadas criticamente, não ignoradas por serem inconvenientes ao discurso político.
