Em outubro de 1908, a revista científica The Lancet, uma das mais conceituadas da área, publicou o resultado de um estudo que indicava que o ato de ler na cama antes de dormir era perigoso aos olhos, sobretudo para os jovens.
O alerta se baseava em uma investigação do médico alemão Hugo Feilchenfeld. Ele considerou que a baixa iluminação dos quartos, junto à posição de ler deitado, poderia induzir distúrbios visuais como miopia. Leia a íntegra, em inglês (PDF - 757 kB).
O médico concluiu que a luz nos quartos era frequentemente insuficiente e posicionada de forma que ofuscava o olhar. Disse também que a leitura na cama tornava difícil segurar o livro de maneira a permitir o foco nas palavras de forma plena por ambos os olhos.
O artigo afirmava que o risco é mais elevado para as pessoas cujos olhos ainda não estão plenamente desenvolvidos. E sugeria que o hábito de ler na cama fosse “estritamente proibido” para menores de 18 anos.
“Felizmente, existe um consenso razoavelmente geral entre o público de que é melhor evitar esse hábito”, dizia o texto na Lancet.
PRÁTICA É HOJE BEM-VISTA
Pesquisas mais recentes contestam a conclusão de Feilchenfeld. Um artigo publicado em 2021 que classifica os fatores de risco para a miopia, escrito por pesquisadores de diversos países, concluiu que a postura ao ler e a menor iluminação são variáveis de “baixo risco” para o desenvolvimento do distúrbio óptico.
