Essenciais para o equilíbrio do planeta, os manguezais brasileiros armazenam volumes expressivos de carbono azul e protegem as áreas costeiras contra erosão e ressacas extremas.
O ecossistema, que ocupa cerca de 1,4 milhão de hectares no território nacional, com maior concentração no litoral amazônico, guarda estoques de carbono no solo que podem superar em até duas vezes a capacidade por hectare de florestas tropicais terrestres, segundo estudos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Jonata de Arruda Francisco, doutor em Oceanografia Biológica pela Universidade Federal do Pernambuco e pesquisador de pós-doutorado na Universidade Federal do Pará, explica que a retenção da substância ocorre de forma diferenciada.
“O carbono azul é o carbono capturado e armazenado pelos ecossistemas costeiros. No caso dos manguezais, uma característica importante é que grande parte desse carbono fica armazenada no solo, e não apenas na vegetação”, pontua.
A dinâmica das marés e a composição dos sedimentos são determinantes nesse processo. Nos manguezais, as lamas assumem um papel-chave: elas apresentam baixa disponibilidade de oxigênio e, nessas condições, os microrganismos continuam decompondo a matéria orgânica, mas de maneira lenta.
“Esse conjunto de condições permite que parte do carbono fique armazenada por centenas ou até milhares de anos”, afirma o pesquisador.
