Adotados em um abrigo nos Estados Unidos, dois gatos chamados Gary e Shaggy chamaram a atenção de pesquisadores por uma característica incomum: as pernas excepcionalmente longas. Mas foi a combinação dessa particularidade com alterações nos olhos e no coração que levou cientistas a identificar, pela primeira vez, a síndrome de Marfan em gatos domésticos com confirmação molecular.
O estudo foi publicado em 19 de setembro na revista científica Scientific Reports, por pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos. A descoberta permite ampliar o conhecimento sobre a síndrome e investigar como suas alterações se manifestam em felinos.
"As descobertas fornecem uma base para o aprimoramento do diagnóstico veterinário", disse em comunicado Jacquelyn Evans, autora sênior e professora assistente da Faculdade de Medicina Veterinária e do Instituto Baker de Saúde Animal. "Elas podem ajudar os veterinários a reconhecer casos semelhantes no futuro e podem auxiliar no desenvolvimento de testes genéticos".
Doença genética
A síndrome de Marfan é uma doença hereditária que compromete o tecido conjuntivo, responsável por dar sustentação e integrar diferentes estruturas do organismo. Em humanos, a condição pode afetar os ossos, os olhos e o sistema cardiovascular, inclusive a aorta, a principal artéria do corpo. Estima-se que a síndrome afete aproximadamente uma em cada 4 mil pessoas.
Apesar de ser mais conhecida em humanos, a condição não é exclusiva da nossa espécie.
Síndrome rara em humanos é identificada em gatos pela primeira vez
