Texto Maria Clara Rossini, de Soure | Design Gabe Rivas e Juliana Krauss | Fotos Juliana Krauss
Eu nunca havia visitado um sítio arqueológico. Enquanto estava no carro a caminho de um, torcia para encontrar ao menos um pedacinho de cerâmica milenar - talvez deixado para trás por um pesquisador descuidado que já tivesse escavado o local no passado. Jamais passou pela minha cabeça que eu caminharia tropeçando em peças arqueológicas.
Qualquer desavisado que visita o Teso dos Bichos pode pensar que se trata de um canteiro de obras abandonado. O chão de grama e terra é coberto de cacos que parecem ser de tijolo. Mas quem atenta aos fragmentos, um a um, percebe que alguns deles têm decorações complexas, estão moldados em diferentes formatos, e até pintados em branco ou preto.
Esse é o sítio arqueológico mais acessível da região. E, mesmo assim, tive que pegar três horas de estrada, duas balsas, passar por quatro portões de fazendas, caminhar por dois córregos lamacentos descalça, tirar espinhos dos pés e ainda caminhar por mais 20 minutos em um campo aberto (nunca me conectei tanto com Indiana Jones). O local recebe muitos visitantes que, segundo o meu guia, quase sempre colocam um pedacinho de cerâmica no bolso.
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Os souvenirs dos turistas são vestígios de uma sociedade complexa que existiu na Ilha do Marajó, no estado do Pará, há mais de mil anos.
