A geleira Thwaites, localizada na Antártica Ocidental e mais conhecida pelo apelido “geleira do fim do mundo”, pode contribuir com até 3 centímetros para a elevação do nível do mar até 2100, o dobro do estimado anteriormente. A projeção foi desenvolvida a partir de um novo modelo computacional que simulou o impacto do derretimento dessa formação de gelo. Segundo os cientistas responsáveis, o cenário parte das condições climáticas atuais, sem considerar aquecimentos adicionais.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da UCI (Universidade da Califórnia em Irvine) e do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa, ambos nos Estados Unidos. Seus resultados, descritos em artigo publicado nessa segunda-feira (12) na revista Nature Communications, apontam que os cálculos utilizados até então podem ter subestimado a velocidade de deterioração da geleira por não representarem adequadamente a entrada de água do oceano sob o gelo.
Ao incorporar esse processo às simulações, a equipe conseguiu reproduzir mudanças observadas desde a década de 1990 com uma intensidade quatro vezes maior do que a indicada pelos modelos convencionais. Se essa projeção de tendência estiver correta, os cientistas alertam que há grande risco de as regiões costeiras do planeta enfrentarem inundações severas já nas próximas décadas.
Água quente debaixo da geleira
A principal inovação do modelo é considerar uma área de contato entre o gelo e o oceano mais ampla e dinâmica do que a utilizada anteriormente.
'Geleira do fim do mundo' contribui duas vezes mais para o aumento dos oceanos do que se imaginava
