A agenda está preenchida, os alarmes foram programados e a lista de tarefas passou por revisão na noite anterior. Ainda assim, quando o dia termina, fica a impressão de que pouca coisa saiu do lugar. A sensação de estar fora do eixo, mesmo depois de um esforço deliberado para organizar a rotina, virou queixa comum em consultórios, empresas e conversas entre amigos.
Estudos das áreas de psicologia, neurociência e cronobiologia indicam que a origem do incômodo raramente é a falta de planejamento. Com frequência, ela está na distância entre o que o planejamento promete e o que o corpo e a mente conseguem sustentar ao longo de semanas e meses.
A promessa de controle que a produtividade não entrega
Parte do desconforto nasce de uma expectativa. Aplicativos, métodos de gestão do tempo e planners costumam vender a ideia de que, com a ferramenta certa, será possível dar conta de tudo.
O jornalista e escritor britânico Oliver Burkeman, autor de “Quatro mil semanas: gestão do tempo para mortais”, dedicou o livro a questionar essa premissa. “A produtividade é uma armadilha”, afirma o autor na obra.
O raciocínio do jornalista permeia a ideia de que ganhar eficiência tende a acelerar o ritmo, e não a esvaziar a lista, porque novas demandas ocupam rapidamente o espaço liberado. Ele usa o próprio exemplo com o e-mail: quanto mais rápido respondia às mensagens, mais mensagens recebia.
