Em seu livro Redes de indignação e esperança, o sociólogo espanhol Manuel Castells analisa o medo como uma emoção fundamental para a manutenção do poder, contrapondo-o à esperança e à possibilidade de transformação social. A campanha de Lula no segundo turno colocou no centro de sua estratégia a arma do medo, na tentativa de reverter a desvantagem expressa nas urnas no primeiro turno e confirmada pelas primeiras pesquisas divulgadas após a votação, nas quais Flávio Bolsonaro aparece à frente nas intenções de voto.
O eixo dessa estratégia surge com clareza nos programas televisivos de Lula e em uma ofensiva nas redes sociais, num ambiente de desinformação e ataques cada vez mais agressivos. Circulam mensagens que chegam a alardear que até o Pix deixaria de existir em um eventual governo do adversário do presidente.
A estratégia consiste em construir a imagem de que o candidato oposicionista, se eleito, acabaria com programas sociais como o Bolsa Família, retiraria direitos dos aposentados e dos trabalhadores que recebem um salário-mínimo, sucatearia o SUS e avançaria sobre as instituições democráticas, instituindo um governo de perfil “iliberal e fascistizante”. Em síntese, o Brasil estaria à beira do apocalipse, que se consumaria caso Lula perdesse a eleição.
As manifestações realizadas nos últimos dias deram novo fôlego à campanha petista, especialmente pela presença de jovens e pela capacidade de mobilização nas grandes cidades.
