Seria uma coincidência? Durante boa parte do mandato, o Bolsa Família ficou sem reajuste, as bets funcionaram com licença do próprio governo e o teto do MEI ficou parado. Bastou a campanha entrar na reta final para tudo virar prioridade. Em cinco semanas, choveram anúncios. O eleitor recebe a notícia agora. A conta chega depois, e chega no bolso dele.
A pressa chegou junto com a urna
Corte de imposto na gasolina. Reajuste do Bolsa Família. Programa de renegociação de dívidas. Proibição das bets. Gasolina sem tributo federal por 30 dias. Pix de até R$ 5 mil para microempreendedor. Tudo entre 9 de setembro e 13 de outubro.
O governo tem uma justificativa para cada medida. Só não tem explicação para a data. A família endividada não ficou endividada em setembro. O microempreendedor não começou a sofrer neste mês. O combustível pesa no bolso há muito tempo. Se a necessidade é antiga, por que a resposta só apareceu com a eleição batendo à porta?
A gasolina tem prazo, e ele vence depois da urna
O alívio na bomba acaba no início de novembro, depois do segundo turno. Quando o prazo vencer, sobram duas possibilidades. Ou o imposto volta e pode pesar no próximo abastecimento, ou o governo prorroga e precisa explicar como a conta continuará sendo paga. O governo prevê compensar o custo atual com receitas extraordinárias do petróleo, mas isso vale para agora. Em nenhum dos dois casos o problema desaparece. A decisão ficou para depois da votação.
