Está virando cada vez mais comum que clubes brasileiros sejam punidos pela Fifa com transfer ban. Em menos de uma semana, o Santos recebeu sete punições da entidade máxima do futebol. A Gazeta Esportiva conversou com Andrei Kampff, advogado especializado em direito esportivo, para entender esse cenário e os motivos que têm levado cada vez mais equipes nacionais a sofrerem esse tipo de sanção.
Para ele, a recorrência dessas punições expõe um problema estrutural do futebol brasileiro.
“Os clubes assumem compromissos sem garantir capacidade de pagamento, antecipam receitas e deixam obrigações para a próxima gestão. A pressão por resultados ajuda a explicar essas escolhas, mas não as justifica. Quando contratar é prioridade e pagar vira uma preocupação posterior, o risco já está criado”, afirmou.
“O transfer ban transforma esse descontrole financeiro em consequência esportiva: o clube fica impedido de registrar novos jogadores. É também uma questão de equilíbrio da competição. Quem contrata e não paga pode obter uma vantagem sobre quem respeita seu orçamento. Por isso insisto: governança e compliance são questões de sobrevivência para os clubes”, completou.
Atualmente, 11 clubes brasileiros possuem transfer bans ativos. O Santos lidera a lista com quatro punições. A equipe presidida por Marcelo Teixeira chegou a acumular sete bloqueios, mas quitou três dívidas nesta terça-feira. Na sequência aparecem Corinthians, Fortaleza e Internacional, com dois casos cada.
