Rio de Janeiro, Em meio a tantas histórias marcantes de personalidades brasileiras, a de Amyr Klink nem sempre recebe a atenção que merece. Em 1984, o navegador se tornou o primeiro a cruzar o Atlântico Sul a remo, em uma jornada solitária que durou 100 dias. Inspirado no livro Cem Dias Entre Céu e Mar, escrito pelo próprio velejador, 100 Dias acompanha a travessia e explora como a experiência transformou a relação de Amyr com ele mesmo e com a família.
À primeira vista, o longa dirigido por Carlos Saldanha (A Era do Gelo e Rio) pode parecer apenas a história de um homem que realizou o que muitos consideravam impossível. No entanto, a travessia é apenas uma parte da história. Ao alternar os acontecimentos no mar com lembranças e conflitos familiares, o filme mostra como a decisão de Amyr, interpretado por Filipe Bragança, repercute também na vida de quem ficou em terra firme.
É nesse contexto que a relação com o pai Jamil, vivido por Felipe Camargo (Além do Tempo), ganha bastante espaço narrativo na trama. Mais resistente à decisão do filho, ele representa o receio diante de uma jornada arriscada e aparentemente distante da realidade. Já Asa Klink, interpretada por Philippine Leroy-Beaulieu (Emily em Paris), acompanha a partida com o desejo de ver o filho voltar em segurança, enquanto o irmão, Tymur, vivido por João Vitor Silva (O Agente Secreto), oferece apoio à decisão.
