Um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá enfrentar dificuldades de governabilidade diante de um Congresso mais conservador, do quadro fiscal e da necessidade de recuperar a confiança dos agentes econômicos. A avaliação é de Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do grupo Eurasia, durante o WW Talks, iniciativa da CNN Brasil em parceria com a Galapagos Capital e a Eurasia.
Segundo Garman, o espaço para o governo avançar em sua agenda dependerá das propostas apresentadas ao Legislativo e da disposição para enfrentar questões estruturais das contas públicas. Apesar da perspectiva de um Congresso mais conservador, o analista considera possível aprovar mudanças fiscais, caso haja um diagnóstico compartilhado sobre a necessidade de controlar as despesas obrigatórias e criar condições para a redução dos juros.
“Se o presidente Lula assumir, no meio de uma crise de confiança e depreciação dos preços de ativos, uma preocupação muito grande sobre a dinâmica da dívida, que coloca dificuldades no Banco Central poder reduzir juros, e se eles entrarem no quarto mandato com o diagnóstico que é necessário endereçar o gasto obrigatório para gerar condições para o Banco Central poder reduzir juros, mesmo com o Congresso conservador, acho que teria espaço para poder avançar uma proposta nessa direção”, afirmou.
