A abertura do mercado livre de energia pode frustrar consumidores que esperam uma redução expressiva na conta de luz, avalia a Copel. Em entrevista ao Alta Voltagem, Diogo Mac Cord, vice-presidente de Estratégia, Novos Negócios e Transformação Digital da companhia, afirmou que o peso dos subsídios e encargos do setor elétrico reduziu a vantagem econômica de trocar o mercado regulado pelo livre.
A ampliação do acesso ao mercado livre de energia será gradual. Consumidores industriais e comerciais atendidos em baixa tensão poderão escolher o fornecedor de energia a partir de novembro de 2027. Para os demais consumidores, incluindo os residenciais, a possibilidade estará disponível em novembro de 2028. O cronograma, previsto em lei, foi regulamentado por decreto.
O executivo explica que parte da vantagem histórica do ACL (Ambiente de Contratação Livre) sobre o ACR (Ambiente de Contratação Regulada) vinha de diferenças na cobrança de encargos e subsídios. Segundo ele, essa possibilidade de arbitragem deixou de existir, porque os consumidores do mercado livre passaram a arcar com volumes equivalentes dessas despesas.
“Hoje no ACL paga volumes equivalentes de encargo. E como o preço tem uma distorção muito grande para os dois lados, o preço no ACR hoje é menor do que o preço no ACL”, afirmou.
Na avaliação do vice-presidente da Copel, esse cenário oferece pouco incentivo para que o consumidor migre motivado apenas pelo preço da energia.
