A. Victoria de Andrés Fernández é professora titular do Departamento de Biologia Animal da Universidade de Málaga, na Espanha. O texto a seguir foi originalmente publicado no site The Conversation, que reúne artigos escritos por pesquisadores. Vale a visita.
Não gostamos dos nossos narizes. Ou pelo menos é o que transparece de um relatório da Sociedade Espanhola de Cirurgia Plástica, Reparadora e Estética (SECPRE), segundo o qual a rinoplastia é a quinta cirurgia mais realizada no mundo, e não exatamente por motivos de saúde.
De fato, as rinoplastias chegam a representar até 10% das cirurgias estéticas realizadas na Europa e nos EUA, com a Espanha ocupando uma das primeiras posições nesse ranking. As mais de 1,08 milhão de cirurgias de remodelação nasal realizadas em 2024 nos mostram, claramente, que narizes pequenos e arrebitados parecem constituir um bem estético muito cobiçado.
Mas se soubéssemos a quantidade de funções que um nariz bom e proeminente desempenha, muito provavelmente olharíamos para nosso apêndice nasal com olhos mais benevolentes. Especialmente conhecendo sua importância na revolução cultural que levou ao surgimento dos seres humanos.
Para que serve o nariz?
A priori, podemos pensar que respirar seria perfeitamente viável por meio de um simples orifício de contato das vias respiratórias com o exterior. Assim, poderíamos tanto nos oxigenar quanto cheirar, as duas funções aparentemente básicas do nariz.
