“Para mim todo dia parece um pesadelo em que eu vou acordar e isso não tá acontecendo, não aguento mais ficar preso”. Com essa frase o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto concluiu seu interrogatório, que durou cerca de oito horas, no último dia 6 (assista abaixo). Na ocasião, ele estava há 202 dias atrás da grades, no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte paulistana.
Nitidamente mais magro, após perder 16 quilos, como ele mesmo afirmou, o oficial manteve a versão de que a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, teria se matado, com um tiro na cabeça, em 18 de fevereiro na sala do apartamento onde o casal morada, no centro da capital paulistana. Geraldo Neto foi preso um mês depois. Ele é réu pelo feminicídio da companheira e, também, por fraude processual.
“Eu tô preso há 202 dias. Sem ter cometido crime nenhum, doutora. E assim…eu sempre trabalhei honestamente, desde que eu sou criança. Comecei a trabalhar com 10 anos de idade e nunca cometi um crime”, afirmou o tenente-coronel à Justiça comum.
No depoimento, assim como em outras ocasiões com a Jsutiça, o oficial questionou as provas coletadas durante a investigação. Ele chegou a sugerir que marcas no pescoço de Gisele teriam sido feitas pelo advogado da família da soldado, Miguel Silva, no necrotério, com o intuito de incriminar o oficial.
