A depender do resultado das urnas, só não vale dizer que a gente não sabe como será “O Dia Depois de Amanhã” (2004), para lembrar um dos filmes-catástrofe de Roland Emmerich, especialmente na cúpula dos tribunais superiores. Kássio Nunes Marques e André Mendonça, respectivamente, presidente e vice do TSE e também membros do STF, se oferecem como nossos guias nos círculos eventualmente vindouros do inferno. Se acontecer de a dupla ser o Virgílio que a história nos reserva (Santo Deus!), não haverá nem Beatriz nem Paraíso como promessas de futuro para nós, os Dantes que assistirão à destruição. Se a matéria é Justiça, teremos de falar de duas peças de teatro: “O Inspetor Geral” de Gógol, e “As Bruxas de Salém”, de Arthur Miller.
No filme de Emmerich a que aludi, há redenção e esperança, a exemplo de outros que dirigiu e que vocês podem ter visto: “Independence Day” (1996), “Godzilla” (1998) e “Independence Day - O Ressurgimento” (2016). Desde a Grécia Antiga, a função da tragédia é extremar os males dos indivíduos e do mundo para a expiação coletiva.
O gênero, no entanto, também nos reserva o deboche sem saída de “Não Olhe para Cima” (2021), de Adam McKay, e o espetacular “Melancolia” (2011), do polêmico, para dizer pouco, Lars von Trier. Note que, nesse caso, o fim dos tempos é, na verdade, uma metáfora da desesperança e do niilismo, ainda que o mundo fosse um doce de coco.
