Apenas cinco dias de estimulação cerebral não invasiva, combinados a sessões de educação nutricional, foram capazes de reduzir o desejo intenso por comida (food craving) em mulheres com obesidade. Os resultados vêm de um estudo-piloto conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e publicado na revista Physiology & Behavior.
A obesidade é considerada um dos principais problemas de saúde pública no mundo - e sua prevalência é maior entre as mulheres. Projeções do World Obesity Atlas indicam que, em 2030, aproximadamente 346 milhões de homens terão obesidade grau 1 - índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 34,9 kg/m2 - e 141 milhões terão obesidade grau 2 (entre 35 e 39,9 kg/m2) ou mais. Entre as mulheres, esses números são 399 milhões e 244 milhões, respectivamente.
Além das alterações metabólicas, como resistência à insulina, estudos de neuroimagem indicam que a doença está associada também a mudanças em áreas do cérebro relacionadas ao controle cognitivo, à recompensa e ao comportamento alimentar.
Uma dessas regiões é o córtex pré-frontal dorsolateral, envolvido na tomada de decisão e na autorregulação. Especula-se que a atividade dessa área do cérebro possa estar reduzida em pessoas com obesidade.
Estudo da USP usa estimulação cerebral para reduzir desejo por comida em pessoas obesas
