Dados do Banco Central mostram que o perfil do crédito no Brasil mudou nos últimos três anos. O endividamento avançou entre brasileiros de renda mais alta, enquanto a participação da baixa renda no total de crédito recuou.
Em 2023, quem ganhava até cinco salários mínimos respondia por 69,4% do crédito tomado (empréstimos, rotativo, cheque especial e outras modalidades). Em 2026, essa fatia caiu para 57,4%. Já a parcela de quem ganha acima de dez salários mínimos subiu de 14,1% para 23,3%. A renda média (entre cinco e dez salários mínimos) passou de 11,5% para 12,7%. Uma fatia de cerca de 9% permanece sem informação de renda.
O levantamento aponta crescimento superior a 90% das dívidas na faixa de renda mais alta. Com isso, os bancos ampliaram a participação desse público na concessão de crédito.
As instituições financeiras redirecionaram o foco da oferta para a alta renda por causa da demanda crescente. A perda de poder de compra também atingiu os mais ricos, que passaram a recorrer mais a cartões de crédito, crédito rotativo e cheque especial. Na outra ponta, a baixa renda enfrenta restrições de crédito, em grande parte por restrição cadastral (“nome sujo”), o que limita o acesso a novas operações mesmo que o volume ainda se concentre nessa faixa.
