O economista Ângelo de Angelis, sócio da ACF Consultores e coautor da reforma tributária, afirmou, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, divulgada nesta 2ª feira (12.out.2026), que extinguir o split payment levaria ao aumento das alíquotas de impostos para toda a população. Para ele, a consequência é direta: sem o mecanismo, cresce a inadimplência fiscal, e o governo precisaria compensar a perda de arrecadação elevando tributos.
O split payment é uma tecnologia financeira criada no contexto da reforma tributária. Ela permite recolher automaticamente os impostos de uma transação no momento do pagamento, eliminando o intervalo de cerca de 1 mês que as empresas atualmente têm entre a venda de um produto e o repasse dos tributos ao Fisco.
Segundo Angelis, a ferramenta não se aplica a todas as operações financeiras, como parte do debate público tem sugerido. O split foi concebido como mecanismo residual; só é acionado quando os impostos de uma operação não tiverem sido quitados por nenhuma das outras modalidades de extinção de débito até o momento da liquidação financeira.
“O pessoal está achando que todas as operações financeiras passarão pelo split e que isso vai ser um fator de descapitalização das empresas. É uma concepção errada. A realidade é que continuam ainda as velhas formas de quitação e só vai acontecer o split se essas velhas outras formas não tiverem ocorrido antes. Não tem essa história de descapitalização”, afirmou o especialista.
