Vamos supor, por pura especulação, que as multidões reunidas nos últimos dias nas principais capitais do país empurrem Luiz Inácio Lula da Silva, morro acima, a uma suada vitória nas urnas. Concluída a apuração, o que vai acontecer?
As boas maneiras democráticas indicam que o candidato adversário, Flávio Bolsonaro, ligaria para Lula, lhe daria parabéns e lhe desejaria sucesso. Como já fez, por exemplo, um adversário ilustre como o ex-governador José Serra.
Alguém imagina a cena? Ou seria mais fácil cogitar que a tropa bolsonarista imediatamente colocaria em dúvida o resultado? Quem sabe divulgando mensagens inaudíveis para os demais liberando ondas de ataques?
Se Lula perde, por outro lado, ele mesmo terá de passar pelo teste do telefone. Ligará para Flávio? Talvez sim, ainda que a contragosto. E provavelmente não vai questionar os resultados, assim como não questionou em outras derrotas.
Os que apoiam Bolsonaro veem nele uma espécie de remédio para todos os males do Brasil. Antes de ingerir o remédio, no entanto, seria recomendável que procurassem na bula os efeitos colaterais de seu voto.
Pois o primeiro seria o retorno da radicalização da política. Apesar do jeito mais suave de Flávio, ele tem o DNA da família.
E tudo indica que, a exemplo do pai Jair, ele vai falar para os seus, nos cercadinhos que escolher, e vai mobilizar os admiradores com a mesma inspiração fascista das motociatas do ex-presidente.
