Essa mudança de perspectiva não diminui a importância de combater o câncer. Ao contrário. Ela amplia o que entendemos por cuidado.
É possível tratar uma doença e, ao mesmo tempo, pensar na dor, na recuperação, na autonomia, na imagem corporal, no tempo afastada do trabalho e na capacidade de seguir com a própria rotina? Em alguns casos, os avanços da medicina começam a indicar que sim.
Essa discussão esteve entre os temas abordados no 29º Congresso da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (Sobrice), realizado em São Paulo. Ela representa uma transformação que vem ganhando espaço na oncologia: a busca por tratamentos capazes de controlar a doença sem necessariamente impor à paciente todo o impacto de intervenções mais extensas, quando as características do tumor permitem.
Uma possibilidade para casos selecionados
É nesse cenário que a Radiologia Intervencionista ganha relevância.
Ao utilizar exames de imagem para guiar instrumentos com precisão até uma lesão, a especialidade permite realizar procedimentos por pequenas punções, em vez de grandes incisões, em situações selecionadas. No câncer, isso pode significar desde biópsias e procedimentos para controle de sintomas até técnicas de ablação capazes de destruir determinados tumores ou metástases.
No câncer de mama, uma das possibilidades que vêm sendo estudadas é a crioablação.
