A perda de firmeza na voz com o passar do tempo decorre de transformações anatômicas na laringe, atrofia muscular e oscilações hormonais que afetam a vibração das pregas vocais.
Na infância, elas são mais curtas e produzem um tom agudo. Durante a puberdade, a laringe masculina cresce cerca de 60%, enquanto a feminina expande 34%, promovendo o engrossamento do tom vocal. Na maturidade, a redução de colágeno e a perda de massa muscular reduzem a capacidade de fechamento completo da glote, tornando a fala mais fraca, soprosa ou instável.
Essas mudanças estruturais provocadas pela idade recebem o nome de presbifonia. O processo de envelhecimento da voz atinge o músculo tireoaritenóideo, responsável por encorpar a emissão vocal.
“Com o passar dos anos, o músculo responsável por dar volume às pregas vocais pode sofrer atrofia. Consequentemente, as pregas vocais ficam mais finas e podem não se fechar completamente durante a fala, permitindo a passagem excessiva de ar”, explica o otorrinolaringologista Gustavo Lara, professor de Medicina da Universidade Católica de Brasília (UCB).
A voz na terceira idade
O comportamento do tom vocal na terceira idade varia conforme o gênero biológico devido às taxas hormonais. Nas mulheres, a queda do estrogênio após a menopausa resseca a mucosa e espessa o epitélio laríngeo (tecido de revestimento interno da laringe), tornando a voz ligeiramente mais grave e dificultando o alcance de notas agudas.
