Para abandonar o crime, ele teria de cometer o último, matando um policial militar. Essa seria a missão recebida por Hércules da Costa Siqueira, o Golias (imagem em destaque), apontado como autor do tiro que acertou a nuca do tenente Ronickson Pimentel dos Santos, da Rota, em 27 de junho, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. O estado de saúde do oficial do Batalhão de Choque não havia sido atualizado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) até a publicação desta reportagem.
Segundo Claudia Ferreira Ramos, mulher de Golias, o criminoso lhe contou que, após cumprir uma missão da Sintonia Restrita do Primeiro Comando da Capital (PCC), poderia se “aposentar” da facção e viver com a família.
A revelação consta em depoimento prestado ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), em 24 de julho, obtido com exclusividade pela coluna.
A última missão
Golias deixou a prisão em outubro de 2023 e passou a integrar a “disciplina” do PCC, setor responsável por fazer cumprir regras e resolver conflitos internos da facção. À mulher, reclamava da função, que classificava como “perreco de Zé Polvinho”, expressão usada para se referir a confusões e desavenças consideradas banais.
Após uma reunião em uma favela de Guaianases, zona leste paulistana, há mais de um ano, ficou decidido que ele assumiria um “cargo na restrita”, acrescentou Claudia.
