Quando falamos em adoecimento no trabalho associamos rapidamente à Síndrome de Burnout, doença ocasionada pelo excesso de demandas. Há, porém, um fenômeno menos conhecido que parte do oposto: o Boreout, sofrimento psicológico ligado ao tédio e a falta de estímulos profissionais.
Em entrevista à CNN Brasil, a psicóloga Denise Milk Vargas explicou que, apesar do Boreout ainda não ser reconhecido como diagnóstico clínico nos principais sistemas de classificações de doenças, ele descreve uma condição de desinteresse que merece atenção e que pode ocasionar em problemas maiores no futuro.
O trabalho ocupa um espaço importante na construção da nossa identidade, da autoestima e do sentimento de pertencimento. Quando uma pessoa passa a perceber que suas capacidades estão sendo desperdiçadas e que sua contribuição não faz diferença, pode surgir um processo progressivo de sofrimento emocional.
Psicóloga Dr. Denise Milk Vargas
O trabalho seria o “brinquedo” do adulto?
Segundo Vargas, sim. Quando as atividades estão alinhadas às características e as necessidades de cada pessoa, isso pode causar uma sensação de prazer e realização. Por outro lado, quando o ao contrário acontece um sentimento de frustração pode ser tomado por aquele (a) trabalhador (a).
Existe uma condição fundamental: precisamos ser desafiados na medida adequada. Quando as exigências ultrapassam continuamente nossos recursos, podemos adoecer pelo excesso.
