A memória humana não funciona como uma câmera fotográfica ou uma gravação em vídeo capaz de registrar fatos com precisão absoluta. O cérebro armazena e resgata acontecimentos de forma fragmentada, utilizando mecanismos reconstrutivos para reescrever experiências vividas. Durante a consolidação de uma lembrança, áreas específicas do córtex cerebral guardam separadamente informações visuais, sonoras, olfativas e emocionais. Quando o indivíduo tenta recordar um evento, o hipocampo atua como maestro para reativar essa rede neuronal e remontar o cenário em tempo real.
No entanto, por ser um sistema flexível e plástico, o processo deixa brechas propensas a alterações inconscientes.
Diante de detalhes esquecidos ou ausentes, a mente tende a preencher lacunas automaticamente. A ausência de registros exatos faz com que o córtex pré-frontal e o hipocampo insiram informações plausíveis que façam sentido no contexto.
Como explica o neurologista e neuroimunologista Thiago Taya, do Hospital Brasília Águas Claras, esse mecanismo ocorre de forma involuntária.
“O nosso cérebro não se mantém em situações de incompletude de informações, então ele tenta preencher automaticamente com coisas que mais fazem sentido. Como esse processo é inconsciente, na maioria das vezes não percebemos que a memória foi modificada por comodidade e fluidez natural”, afirma.
